Criação do CPB gera resgate da cidadania
A criação do CPB - Comitê Paraolímpico Brasileiro – há aproximadamente dez anos, é considerada, para seu atual presidente, Vital Severino, um marco para o avanço do esporte paraolímpico. Para ele, a criação de entidades e a obtenção de patrocínios, com a conseqüente inserção do atleta na sociedade, geram o resgate da cidadania de inúmeras pessoas que vivem à margem da vida.
De acordo com Severino, a importância destes meios de engajamento do atleta com deficiência pode ser observada pela constante abertura de espaço para essa integração. Esse é o caso do Parapan-americano 2007, que será realizado juntamente com o Pan-americano, pela primeira vez, em julho, no Rio de Janeiro.
O evento, que é organizado pelo Comitê Organizador dos Jogos – CORio, contará com as mesmas instalações e sedes dos Jogos Pan-americanos. Porém, para que todas essas realizações sejam possíveis, o apoio do governo tem sido fundamental, agregado a parcerias com o Ministério do Esporte e a Confederação Brasileira de Desporto Universitário, além de patrocínios das Loterias Caixa, Olympikus e Unimed.
E não pára por aí. Após o Parapan-americano, será realizado, no Brasil, o Meeting Internacional Loterias Caixa, em dezembro, no Rio de Janeiro, e mais dois campeonatos mundiais: o Mundial da Ibsa, para cegos e deficientes visuais, em São Paulo, no mês de julho, e o Mundial de Futebol de Sete, para pessoas com paralisia cerebral, em novembro, no Rio de Janeiro. Assim, finalizados os eventos deste ano, o foco do CPB será a Paraolimpíada de Pequim em 2008, sempre torcendo para que cada atleta possa mostrar o seu potencial e surpreender, adquirindo melhores resultados.
Ping–Pong com Vital Severino
Atualmente no segundo mandato da presidência da CPB, Vital Severino é um exemplo de que a deficiência, seja ela sensorial, como é o seu caso, ou física, não exclui as possibilidades de viver uma vida “normal”. Cego desde os oito anos, Vital é formado em Direito, chegou a exercer a profissão por dois anos, iniciou no esporte como atleta, liderou a fundação da Adevitrin (Associação dos Deficientes Visuais do Triângulo Mineiro), presidiu a Associação Brasileira de Desportos para Cegos – ABDC, e foi um dos fundadores e idealizadores do Comitê.
J: Como você encarou o problema de sua perda da visão?
VS: Isso proporcionou uma coordenação física e motora acima da média.
J: Qual foi sua primeira missão como gestor do esporte para deficientes?
VS: Liderar a fundação do Adevitrin.
J: Como foi sua primeira experiência como atleta?
VS: Funcionou como uma forma de motivação da prática de esportes ao grupo de cegos e deficientes visuais de Uberlândia, cidade onde residia na época.
J: De que forma se deu sua transição para os cargos administrativos do esporte?
VS: Foi uma transição natural, sempre apresentei certo espírito de liderança.
J: E o CPB - Comitê Paraolímpico Brasileiro?
VS: É motivo de orgulho.
J: O que significa para você a realização do Parapan-americano no Brasil?
VS: Forma de motivação aos atletas.
J: Qual a função do esporte, na sua visão, para os atletas portadores de algum tipo de deficiência?
VS: Uma das mais eficientes ferramentas de inserção social.
J: Que mensagem gostaria de deixar para os atletas brasileiros?
VS: O alto rendimento dos nossos atletas deve valer como um fator de identificação e estímulo. Deve ser uma espécie de espelho que reflete as imagens que – pela potencialidade de desenvolver aptidões – nos despertam e nos chamam para a vida.
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