Eu, mãe
Tenho medo da solidão, vejo-me cada vez mais longe de meus filhos, vejo-os se perderem nesta cruel sociedade. Fico a pensar o que estão a fazer, o que pensam, com quem andam. Teria eu feito algo errado? Seria eu a culpada de seus conflitos, de suas buscas na "escuridão"?
Tento acreditar que eles não estão indo para o "mau caminho", que não estão se envolvendo em drogas, que são apenas intrigas da minha cabeça. Sei que não estou só em meus pensamentos, muitas são as mães que se encontram nesta situação. Entretanto, parece que estou só na imensidão deste mundo, desta casa.
Sim, sou a culpada de tudo, não há outra pessoa a quem culpar. Sim, é meu carma, meu peso, não há como mudar. E a cada minuto sinto-me incapaz, sem saber o que fazer para tornar essa realidade diferente, para explicá-los que isto não é certo, que só tem a prejudicá-los.
Assim eles chegam, minha angústia se cala, vejo-os lindos, tão inocentes à minha visão, tão carinhosos. Agora eu posso me recostar em minha cama e não me sentir tão só, sentindo que com meus filhos ali posso ajudá-los e protegê-los, posso abraçá-los.
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